Os Becos de Bryggen

Sobre este local

Pare por um momento nesta rua estreita entre os edifícios de madeira. O espaço parece apertado de propósito. Bryggen foi construído para o comércio, e o comércio transformou a arquitetura em contabilidade esculpida em madeira. A primeira pista é a largura. Estas casas são estreitas porque ser estreito compensava. Em muitas cidades portuárias, os impostos e taxas dependiam da largura da fachada virada para a rua ou para o porto. Uma fachada maior significava uma conta maior. Ao mesmo tempo, cada metro de frente para a água era valioso porque controlava o acesso à economia do porto. Por isso, os construtores fizeram o que sempre fazem quando o dinheiro dita as regras: criaram frentes o mais estreitas possível e estenderam o edifício para o fundo. É por isso que estas estruturas parecem corredores longos e escuros. Atrás de uma pequena face pública, o edifício estendia-se em profundidade, com salas e armazéns dispostos uns atrás dos outros. A fachada estreita também permitia colocar mais mercadores na mesma localização privilegiada. Bryggen era uma máquina comercial, e este desenho aproveitava ao máximo o valor da margem. Agora repare como tudo está próximo. Muitas paredes eram partilhadas para poupar material e espaço. Este padrão de parede com parede ajudou o bairro comercial a crescer depressa, mas criou um problema óbvio. Quando um edifício se incendiava, o vizinho já estava em contacto com ele. Num lugar como este, o fogo não se espalhava devagar. Viajava rápido, como um fósforo em madeira seca. E Bryggen tinha todos os ingredientes que o fogo adora. Os edifícios eram de madeira. O calor vinha de chamas abertas, velas e fogões. Junte a isto as mercadorias armazenadas, superfícies com alcatrão e os resíduos oleosos do peixe, e o bairro tornava-se perigosamente inflamável. Aqui, a densidade era lucro - e também risco. A parte surpreendente é o que acontecia depois de um incêndio. Bryggen ardeu muitas vezes e, no entanto, foi reconstruído sempre com o mesmo padrão. Não foi por falta de imaginação ou competência. Foi porque o sistema funcionava. Frentes estreitas, interiores profundos, paredes partilhadas e becos apertados eram o desenho que servia o modelo de negócio. Reconstruir da mesma forma foi uma decisão para proteger a continuidade, não uma falha em melhorar. Esta é a filosofia silenciosa escondida na madeira à sua volta. A tradição aqui pode ser vista como uma recusa em abdicar do que fazia o lugar funcionar. Os incêndios não eram o fim de Bryggen. Eram vistos como um recomeço brutal, e depois a máquina comercial era montada de novo, peça por peça, exatamente onde sempre esteve.

História em áudio

Os Becos de Bryggen

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